11/9

Ainda me lembro com clareza daquela manhã em setembro de 2011. Estava prestes há completar 13 anos, mas já era apaixonado pela aviação. Como de costume, cheguei da escola e liguei a TV na hora do almoço, mas, ao invés de assistir aos desenhos animados e aos programas esportivos, fui atacado pelo plantão de notícias com imagens que ficariam em minha mente por muito tempo. Para um apaixonado pela aviação, era muito triste ver aqueles Boeings sendo usados para dar um fim à vida de tantos inocentes, causando tamanha tragédia.

Ao rever as imagens daquele dia durante esta semana, minha mente foi levada dez anos para trás e, por acaso, me lembrei de uma de minhas visitas ao aeroporto de Guarulhos logo antes dos atentados. Eram meados de julho de 2001 e aviões da Varig, Vasp e TransBrasil enchiam os olhos daquele menino que já queria ser piloto. Junto com eles, ficava maravilhado quando conseguia ver um MD-11 da Swissair, algum 747 ou 767 da Canadian ou um 757 prateado da AeroPeru. Todas as empresas aéreas citadas não existem mais. Acrescente ainda à lista a TWA, Sabena, Ansett Australia, America West, Lauda, Northwest Airlines, só para citar algumas de muitas companhias que se foram junto com tantos outros modelos de aviões “obsoletos” que não aparecem mais por aqui.

São tantas as mudanças decorrentes do 11/9 que, em minha opinião, a data pode ser considerada um divisor de águas na aviação comercial moderna. A queda das torres do WTC provocou uma nuvem de cinzas que deixaria a aviação comercial voando por instrumentos durante muito tempo, e fez com que a indústria como um todo tivesse que ser reformulada. Grandes “flag carriers” fecharam as portas ou passaram por grandes mudanças em suas estruturas e administrações defasadas e pesadas, sendo inclusive necessária a união de muitas delas para que sobrevivessem. As empresas “low-cost” viraram realidade. Diversos tipos de aeronaves tiveram sua aposentadoria adiantada. Muitos modelos tiveram de ser trocados por aeronaves mais eficientes e modernas, na tentativa de cortar custos e conseguir lucro em um mercado cada mais competitivo e com menos espaço para erros, condições impostas por crises e pelo medo pós-ataques. Medo, aliás, que fez com que muito fosse gasto em sistemas e procedimentos de segurança que mudaram a rotina de milhões de passageiros ao redor do mundo. Medo que impediu milhares de fotógrafos de tirarem suas fotos dentro de muitos aeroportos globo afora.

As derivações do 11/9 na aviação são muito vastas. Julgo inclusive que há assunto suficiente para um livro. Não um livro trágico sobre a história deste dia, e sim um livro de reflexão, análise e aprendizado sobre todos os efeitos e decisões decorrentes destes eventos e de todas as suas conseqüências. Quem sabe um dia, já que julgo essenciais reflexão e sabedoria em um setor tão científico e exato quanto o nosso. E é exatamente isto que me faz finalizar este texto lembrando o lado humano deste dia que causou tanto impacto em nossas vidas, seja você um trabalhador do setor, um amante da aviação, um simples passageiro ou alguém que se importa com um mundo melhor e com o próximo. Que possamos olhar para dentro de nós mesmos, buscando sempre a paz e o amor, que nos levarão a voar cada vez mais alto.

Aidan Formigoni

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