BNDES confirma negociação de dívida da American Airlines

Embraer ERJ-140LR da American Eagle

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou ontem que foi procurado pela American Airlines para abrir um canal de negociação em relação à sua dívida com o banco referente ao financiamento da aquisição de aviões da Embraer nos últimos anos. A informação foi divulgada na edição de ontem do jornal Valor Econômico. A assessoria de imprensa do BNDES informou que o banco foi procurado pela empresa logo após abrir processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, no fim do ano passado, embora ainda não esteja na condição de inadimplente.

O BNDES não deu mais detalhes sobre os financiamentos da American Airlines com o banco, que foram firmados por meio da linha de crédito à exportação BNDES Exim. Nesse tipo de operação, o financiamento é feito diretamente com o comprador do bem e funciona como um dos fatores competitivos para o fabricante, que recebe o pagamento à vista do banco. A exportação de aviões é financiável pelo BNDES, mas é restrita a aparelhos fabricados no Brasil.

Informações de mercado e fontes do banco confirmam que a American Airlines está em dia com o pagamento de um financiamento de cerca de US$ 3 bilhões, do qual ainda restaria a pagar pouco menos de US$ 1 bilhão. Nesse tipo de financiamento, as parcelas não costumam ser mensais, mas semestrais. Os prazos podem chegar a 12 anos, com remuneração baseada no parâmetro internacional Libor. Embora os problemas da American Airlines aumentem o risco de inadimplência, ainda não há grande preocupação no BNDES.

As operações de financiamento de produtos de alto valor como aviões têm como principal garantia os próprios aparelhos. Como a American Airlines já admite reduzir a sua frota para conduzir a sua recuperação, está no âmbito da conversa com o BNDES a entrega de parte das aeronaves compradas com financiamento do banco, que poderia vendê-las para recuperar o valor ainda restante do crédito. Mas uma fonte diz que não há avanço na conversa e essa até agora é apenas uma hipótese que não pode ser afastada.

Outro caminho, recorrente em processos de recuperação judicial, é o reescalonamento dos pagamentos restantes.

A American Airlines utiliza essa modalidade de financiamento do BNDES desde 1998, quando começou a adquirir aviões da Embraer para suas rotas de aviação regional operadas por sua controlada American Eagle.

Diferentemente do que faz nas linhas de crédito convencionais, o BNDES não divulga os detalhes das operações da linha Exim por considerar os dados informações estratégicas integrantes do plano de empresas como a Embraer para vencer concorrências internacionais. No setor aeronáutico, por exemplo, o financiamento de agências estatais de exportação por trás de empresas como Boeing e Bombardier está entre os principais fatores críticos para a definição de grandes concorrências internacionais.

Fonte: Agência Estado

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