Embraer quer prazo para produzir avião para EUA

A-29B Super Tucano da FAB

A Embraer deixou claro ontem que somente participará de uma nova licitação da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) para a compra de aviões de combate leve se os requisitos forem os mesmos da concorrência cancelada no final de fevereiro. A única mudança exigida pela companhia brasileira é a prorrogação do prazo de entrega das primeiras aeronaves, antes definida para 23 de abril de 2013. Conforme anunciou no final de março, a USAF deve lançar o novo edital nas próximas semanas.

Ao contrário do que informou à imprensa, a presidente Dilma Rousseff cobrou duas vezes do presidente dos EUA, Barack Obama, anteontem, a preservação da escolha inicial da USAF. “Os EUA sempre falaram em respeito aos contratos. Como é que, agora, não respeitam um deles?”, questionou Dilma na sua conversa com Obama, na Casa Branca, e quando ambos se apresentaram diante dos comandantes de empresas dos dois países.

Ontem, o presidente da Embraer, Frederico Curado, insistiu a jornalistas brasileiros e estrangeiros não ser essa venda crucial por seu valor – um total de US$ 350 milhões para o primeiro lote de 20 aviões, a ser entregue pelos EUA à futura Força Aérea do Afeganistão.

A importância do contrato estaria no seu objetivo estratégico. A operação com o Departamento de Defesa, explicou ele, vale como um “selo de qualidade” para os Super Tucanos. Ela estimularia a empresa a avançar em nichos do mercado de aviação militar e daria impulso a projetos específicos, como a montagem cargueiro KC 390.

“Considerando a reabertura do processo de licitação, esperamos que haja coerência com o que foi avaliado no processo anterior”, afirmou. “O Super Tucano não é só o melhor avião dessa categoria, mas é o único. Estamos confiantes”, completou Curado.

Vitória cancelada

A Embraer fora anunciada vitoriosa na licitação da USAF no final de dezembro, depois da desqualificação da companhia americana Hawker Beencraft por não ter cumprido requisitos. A Hawker competia com os aviões AT-6, produzidos em sua planta em Wichita (Kansas). Em 28 de fevereiro, entretanto, a Força Aérea anunciou o cancelamento do processo de compra, sob o argumento de ter havido problemas com a documentação. Uma investigação foi aberta para apurar o erro.

A decisão frustrou a Embraer, segundo Curado. Mas também surpreendeu o Departamento de Estado, o comando do Pentágono e a Casa Branca.

Questionado se teria sido provocada por incompetência da burocracia da USAF ou por pressões políticas, Curado acabou por concordar com a primeira alternativa. “Se o processo for retomado sem mudanças, com as mesmas especificações técnicas, nós seremos selecionados de novo. Isso significa não ter havido interferência política no cancelamento.”

Políticos do Estado do Kansas, entretanto, movimentaram-se em Washington em favor de uma revisão no processo de compra, como meio de favorecer a Hawker. Neste ano de eleição presidencial nos EUA, o pré-candidato republicano Newt Gingrich criticou duas vezes a vitória da companhia brasileira nessa concorrência como exemplo de negligência do governo Obama em sua missão de gerar empregos no país. Gingrich omitiu o fato de a Embraer planejar produção desses Super Tucanos em Jacksonville, Flórida.

Fonte: Agência Estado

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