A laranja azedou

 

Boeing 737-800 da Gol @ SBGR

Difícil entender o que acontece na Gol. A empresa definitivamente não vive bons momentos. Para os analistas, pesaram muito a grande concorrência de Azul, Avianca e Webjet (recém adquirida pela empresa), a alta dos combustíveis e a grande queda na qualidade da receita, fruto de uma politica de promoções e da oferta excessiva de assentos, dentre outros motivos. No entanto, as outras empresas aéreas também enfrentaram as mesmas condições citadas acima e, mesmo assim, não apresentaram números tão ruins quanto os números da Gol.

Sim, amigo leitor, a TAM também obteve prejuízo, e sim, cada empresa aérea é diferente uma da outra, tendo cada uma suas particularidades e diferentes ideologias, embora operando no mesmo mercado. E é exatamente aí onde quero chegar. Em minha opinião, além dos motivos anteriormente citados, o maior motivo de a Gol estar na presente situação é a própria Gol. Ou para ser mais exato, a inexistência daquela Gol nova, ágil, eficiente, que quebrou todos os recordes de crescimento de uma companhia aérea brasileira nos primeiros anos de suas operações.

A diretoria da laranjinha anda totalmente perdida desde a compra da Varig, em 2007. A compra só não foi um fracasso porque a Gol conseguiu slots importantes em Congonhas e introduziu o programa de fidelidade Smiles para seus passageiros. A empresa não soube utilizar o prestigio que a marca Varig ainda possuía, muito menos os direitos de operações em muitos países que herdou da pioneira.  Ainda assim, apesar dos sucessivos erros e da falta de capacidade para lidar com a aquisição de uma maneira eficiente, a Gol investiu mais uma vez e comprou a Webjet. O resultado é o mesmo: a Gol não sabe o que fazer com a compra da empresa, que continua crescendo e apresentando bons números de Market Share, roubando inclusive passageiros da própria Gol, já que não há sinergia entre ambas.

Além disso, é notável incapacidade da Gol de oferecer um padrão de serviço vantajoso a seus clientes. Com passagens mais caras do que as da concorrência em muitos casos e com qualidade de serviço inferior, o único jeito encontrado pela laranja para atrair passageiros foram as promoções na venda de passagens aéreas, o que se mostrou ser um tiro no próprio pé, ou asa, se preferir, já que gerou uma grande queda na receita da empresa.

Na tentativa de voar em melhores ares, a Gol anunciou recentemente que demitiu alguns funcionários, aplicou o Buy-On-Board na maioria de seus voos, eliminou cargos da diretoria e cortou quase 10% de seus voos. Resta saber se, além disto, a empresa iniciará uma política de serviços e de venda de passagens condizentes com os preços cobrados por ela, e se finalmente vai decidir o que fazer com a Webjet, já que a mesma apresenta praticamente o mesmo serviço com voos nos mesmos horários dos voos da própria Gol.

Em minha opinião, para essa laranja dar suco novamente, ela precisa se espelhar em sua parceira Delta Air Lines, que mostrou ao mundo como realizar fusões e aquisições de outras empresas com grande êxito, mas isto é assunto para próximos editoriais…

Aidan Formigoni

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