Puxadinho em aeroporto é barato e veio para ficar

 

Apelidados de “puxadinhos”, os módulos operacionais nos aeroportos vieram para ficar, afirma Gustavo do Vale, 61, presidente da Infraero (estatal que administra aeroportos).

Para ele, a solução é rápida, barata e ideal para aeroportos regionais. Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas), entre outros, têm esses módulos, que servem de sala de embarque.

Há pouco mais de um ano no cargo, Vale está prestes a perder três dos seus principais aeroportos: na sexta, deve ser assinado o contrato com as concessionárias que administrarão Cumbica, Brasília e Viracopos.

O desafio será manter a receita daqui para frente. Um dos planos, afirma, é criar uma subsidiária para prestar serviços aeroportuários.

Ele diz que não se sentirá constrangido em copiar o que as concessionárias fizerem de bom. A seguir, a entrevista:

Folha – Qual será o futuro da Infraero após a concessão?

Gustavo do Vale – A equação feita pelo governo permite que a Infraero, mesmo com resultado menor, continue, sem problemas, sem os três aeroportos até que eles comecem a render dividendos. Precisamos desses dividendos [a Infraero terá 49% de participação] para continuar suportando a rede.

Qual a previsão de receber os dividendos?

Em uns três anos. São nesses três anos que a Infraero terá que se sustentar com recursos próprios. Agora, a partir do momento em que se falar em novas concessões, aí teremos que readequar esse processo.

A preocupação é haver impacto na receita?

Exatamente. Claro que a Infraero tem lucro acumulado e patrimônio sólido que lhe permite viver até sem mais aeroportos do que esses três, mas não irá durar a vida inteira. Teria que ter uma definição de destino, do que o governo espera da Infraero.

Quanto mais concessões, pior para a Infraero?

Não diria que é pior. Pode ser até bom. No primeiro momento, você perde a receita. Como a Infraero não demitirá ninguém nesse processo -essa é a orientação do governo-, não sei quantos funcionários serão absorvidos pelos concessionários. Se o nosso pessoal tiver uma absorção razoável, o problema é menor. Se não, é maior.

Quantos aeroportos podem ser concedidos sem que haja impacto à empresa?

Sem base científica, eu acho que a gente pode conceder um ou dois grandes, sem tsunami (risos).

E se houver mais concessões?

Vamos buscar fontes de receita. A Infraero poderá administrar aeroportos hoje precariamente geridos por Estados e municípios e fazer com que fiquem rentáveis. E podemos prestar serviços no setor aeroportuário.

Com as concessões, a vida do passageiro vai melhorar?

Melhora porque o nosso nível de serviços deixa a desejar, nem por conta dos funcionários, mas pela dificuldade de uma empresa pública. Por exemplo, se estraga uma escada rolante, tenho licitação; o concessionário tem uma agilidade que eu não tenho. E eu acho que não basta ampliar aeroporto e fazer obra sem parar, como no passado. Temos que trabalhar na gestão. Dá pra melhorar e muito a vida do passageiro sem fazer investimentos vultosos.

Como?

Fizemos um trabalho em Guarulhos que foi o acompanhamento das filas, a recepção do passageiro no local correto. Hoje temos muitas pessoas que viajam pela primeira vez. Ao direcioná-los, monitorar a fila para que fiquem com os documentos em mãos, melhoramos muito a performance.

A melhoria dos serviços, sob gestão privada, não pode deixar implícita a incapacidade da Infraero na gestão?

É uma leitura que pode acontecer. Mas é natural em todo lugar em que você troca a gestão. Se o nosso cliente, que é o usuário, entender e aceitar que aquela é uma forma melhor de gerir, não terei constrangimento em copiar.

As pessoas hoje chegam com cada vez mais antecedência aos aeroportos…

O passageiro tem que ficar menor tempo possível, seja em aeroporto ou em rodoviária. Passageiro vai pra viajar, não é [pra] passear. Tanto é verdade que em aeroporto fora acompanhante não entra em área de check-in; é só no Brasil que a família fica na fila do check-in. Não há recursos para fazer salões de embarque maiores. As pessoas também ficam com medo de perder o voo por causa do trânsito e chegam horas antes. Só que, quando o trânsito não tem problema nenhum, enche o aeroporto.

Como resolver?

Não dá para desestimular, porque é cultural o brasileiro levar parentes ao aeroporto. Temos que tornar o atendimento mais rápido.

E aos estacionamentos?

Só tem uma forma de resolver: ou melhora a infraestrutura pública, a forma de chegar ao aeroporto, ou aumenta estacionamento. Estacionamento nunca foi fonte de renda; agora, passou a ser negócio. A gente tem melhorado em Curitiba, Galeão, João Pessoa e Confins.

Os puxadinhos [os terminais provisórios] vão acabar?

Vão continuar. Chegaram para ficar, não são temporários, alguns são definitivos e são a solução para aeroportos regionais. São baratos, você faz um em seis meses.

O volume de passageiros cresceu 20% em 2011. Como será para o final deste ano?

Menor, porque a demanda tende a se acomodar. Para esse ano o crescimento será de 12% a 15%, algo em torno de 200 milhões de passageiros.

Qual a preocupação com o atraso em obras dos aeroportos para a Copa?

É uma preocupação normal, mas nada que preocupe excessivamente. Temos como bons exemplos Recife, Confins, Manaus, Guarulhos.

Fonte: Folha

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s