Campo de Marte repete erros da vizinhança de Congonhas

 

O movimento do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, cresceu 77% nos últimos dez anos. E está chegando ao limite. De acordo com especialistas, o efeito é semelhante ao que ocorreu com o Aeroporto de Congonhas, na zona sul, que teve seu entorno tomado por prédios. O conflito entre tráfego aéreo e vizinhos sempre foi um entrave para a expansão dos terminais. Com o adensamento demográfico também se torna uma dor de cabeça para os moradores da vizinhança.

Ontem, um avião que decolou do Campo de Marte caiu em Parada de Taipas, matando o piloto. O dano só não foi maior porque a aeronave não atingiu nenhum imóvel.

Nos últimos 20 anos, dezenas de prédios cresceram no entorno do Campo de Marte. Apesar de os moradores não terem um movimento contra o aeroporto, as pistas, antes afastadas, estão coladas a avenidas e edifícios. No bairro de Santana nove prédios foram construídos por ano na última década. Nesse período, segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), surgiu uma média de 452 novos apartamentos por ano na região.

O tráfego aéreo do Campo de Marte, que iniciou suas atividades em 1920, cresceu na mesma proporção da ocupação urbana ao seu redor. O aeroporto, que opera com aviões pequenos e helicópteros, passou de 20 mil pousos e decolagens no primeiro trimestre de 2003 para 35 mil no mesmo período deste ano.

Para a diretora do Movimento Defenda São Paulo, Marcia Vairoletti, o grande tráfego de helicópteros na região é um risco para os moradores. “Ao lado do aeroporto existe uma aglomeração muito grande. Não houve planejamento do poder público no momento da ocupação”, aponta.

“O processo de verticalização próximo aos aeroportos é uma realidade. Isso não representa mais riscos, mas o ideal é que o aeroporto fique numa área não urbanizada. Como Congonhas, a cidade envolveu o Campo de Marte. Isso restringe qualquer capacidade de ampliação. Vai sempre travar na desapropriação, que é sempre difícil”, afirma o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano.

Aeroporto congelado

Além dos riscos e transtornos para a vizinhança (como o barulho), o crescimento do movimento perto do limite também traz problemas para quem usa o terminal. Sem espaço para expansão, por causa do crescimento imobiliário, empresas já migram para aeroportos do interior, principalmente para aqueles em cidades próximas à Região Metropolitana.

“Os hangares de Marte estão lotados, não há espaço para construir mais. O aeroporto está do jeito que é há 30 anos. Não houve modernização para acolher mais aviões e as empresas estão indo para Jundiaí”, diz o presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (APPA), George William de Araripe.

Embora o Campo de Marte não tenha linhas aéreas regulares, ele é o quinto em movimento operacional no Brasil. Em 2011 foram cerca de 133 mil operações de pouso e decolagem, número superior ao, por exemplo, do Aeroporto Internacional de Salvador, que registrou aproximadamente 125 mil.

Mas o crescimento não significa melhora na infraestrutura. “Para trazer mais aviões seria preciso mudar o eixo da pista, mas há um conflito com a rampa e o tráfego de Congonhas. O projeto foi abandonado. Existem propostas para a construção de aeroportos particulares na Grande São Paulo, essa deve ser a solução”, diz Araripe.

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