Pilotos do voo 447 nunca entenderam que o avião estava caindo, diz perito

Airbus A330-200 da Air France

O relatório final sobre o voo AF447 foi apresentado a familiares nesta quinta-feira, 5, pelo BEA, Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil da França. De acordo com o documento, resultado de uma segunda perícia sobre o acidente que deixou 228 mortos em 2009, uma combinação de fatores humanos e técnicos é responsável pela tragédia.

O investigador chefe Alain Bouillard disse que os dois pilotos que estavam no controle nunca entenderam que o avião estava caindo. Ele afirmou que a tripulação não teve controle nenhum da situação durante a emergência. A perícia mostra que a tragédia foi ocasionada por erro de pilotagem, problemas técnicos, treinamento inadequado e supervisão fraca. Em função disso, a BEA fez 25 recomendações sobre segurança, incluindo um treinamento melhor para os pilotos, com base nas falhas cometidas no voo 447, e alterações no design do cockpit.

Sindicatos comerciais dos pilotos e a Air France tiveram em desacordo com a fabricante Airbus sobre quem ou o que causou a pior perda da companhia aérea. Com o documento, a BEA confirma as descobertas anteriores, de que a tripulação lidou erroneamente com a perda de leitura de velocidade – ocasionada por sensores defeituosos que ficaram congelados com a turbulência sobre o sul do Atlântico.

A aeronave mergulhou na escuridão por quatro minutos em uma parada aerodinâmica enquanto suas asas buscavam ar, e os pilotos não conseguiram reagir aos repetidos alarmes de paralisação, de acordo com registros do voo recuperados dois anos após o acidente. “O acidente resultou de um avião ter sido retirado de seu ambiente operacional normal por uma equipe que não tinha entendido a situação”, disse o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.

O relatório também descobriu que os sensores de velocidade dos A330, chamados de sondas pitot e desenhados pela francesa Thales, só foram atualizados após o desastre. O relatório instou a Airbus a rever o sistema de alerta de paralisação da aeronave após críticas ao comportamento do alarme quando o avião estava em mergulho de 38.000 pés. Também pediu uma revisão na maneira como a indústria da aviação e as companhias aéreas da França são supervisionadas.

Familiares das vítimas criticaram o relatório. Para eles, há pouca pressão sobre a indústria aeroespacial, e a discussão sobre a responsabilidade pelo acidente deve permanecer enquanto Air France e Airbus enfrentam uma investigação de homicídio na França. “Parece que os pilotos foram induzidos ao erro pelos problemas com as sondas pitot”, disse Robert Soulas, chefe de uma associação de familiares das vítimas a bordo do voo 447.

Para ler o relatório completo do acidente, acesse o link abaixo:

http://www.bea.aero/en/enquetes/flight.af.447/rapport.final.en.php

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Voo 447: 3 anos após tragédia, Justiça e peritos divergem sobre os culpados

Airbus A330 da Air France

Familiares das 228 vítimas do voo AF-447 receberam na véspera do terceiro aniversário da tragédia – lembrado nesta quinta-feira, 31 – uma boa notícia: entre 30 de junho e 5 de julho, os relatórios finais do acidente serão, enfim, apresentados. O problema é que as duas investigações paralelas, da Justiça e do Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA), serão contraditórias.

Enquanto a primeira deve reforçar as suspeitas de negligências da Air France e da Airbus, já indiciadas por homicídio culposo; a segunda insistirá em responsabilizar os pilotos. Durante os três primeiros anos de investigação, todas as atenções da imprensa e das famílias das 228 vítimas – 58 brasileiras – se concentravam no trabalho dos peritos do BEA, que realizaram as buscas em alto-mar à procura dos destroços do Airbus A330 e das caixas-pretas. O último relatório parcial dos técnicos, de julho de 2011, deixa claro que o escritório apontará falhas de pilotagem como o principal fator para a queda.

Segundo essa lógica, o comandante da aeronave, Marc Dubois, de 58 anos, e seus copilotos, David Robert, de 37, e Pierre-Cedric Bonin, de 32, reagiram de forma inadequada ao congelamento das sondas pitot. Esses sensores medem a velocidade de um avião e orientam todo o sistema de navegação de um Airbus. Com a pane desses sistemas, a quatro minutos da queda, um dos copilotos, Bonin, com o apoio de Robert, levou o avião a ganhar altitude excessiva, até a perda de sustentação, que levaria ao choque com o Atlântico.

Em seu relatório, a ser divulgado em 5 de julho, o BEA deverá recomendar que os pilotos sejam melhor treinados para enfrentar essa pane. Nesta quarta-feira, 30, Martine Del Bono, porta-voz do escritório, informou à Radio France International (RFI) que o BEA também recomendará à Agência Europeia para Segurança Aérea (Easa) que aperfeiçoe o funcionamento do alarme de perda de sustentação, para que ele não deixe de funcionar com precisão em caso de erro na indicação de velocidade. Ainda assim, na visão do BEA, a maior responsabilidade cabe aos pilotos.

Essa conclusão não satisfaz especialistas independentes e familiares de vítimas. “O BEA não é um organismo independente. Ele depende do Estado francês, que é acionista da Air France e da Airbus”, criticou Yassine Bouzrou, advogado das famílias.

Justiça

Com as dúvidas que pesam sobre o BEA, a investigação da Justiça da França cresceu em importância. Comandada pela juíza de instrução Sylvie Zimmerman, a apuração já tinha resultado no indiciamento das duas companhias, Air France e Airbus, por homicídio culposo, em março de 2011. Agora, toda a expectativa gira em torno do relatório dos cinco experts independentes, que será publicado em 30 de junho.

Embora o processo corra em segredo de Justiça, o Estado obteve alguns elementos do que deve ser apontando por esse relatório. A primeira conclusão é de que ele inverterá o raciocínio do BEA: na visão dos peritos independentes, a eventual falha dos pilotos teria sido induzida por lacunas de treinamento – o que responsabilizaria Air France e Airbus – e por falhas eletrônicas que tornam a pilotagem de um A330 muito complexa em determinadas situações adversas, como as enfrentadas pelo voo AF-447. O erro dos pilotos, segundo essa lógica, seria uma consequência que contribuiria para o acidente.

Por outro lado, a Justiça não deve apontar a falha das sondas pitot como a causa essencial do acidente. Especialistas franceses como Gérard Arnoux e Henri Marnet-Cornus advertem que desde que os sensores da marca francesa Thales foram substituídos pelos de outra fabricante, a americana Goodrich, a Air France nunca mais registrou casos de pane desses equipamentos. Sylvie Zimermman, porém, não parece convencida dessa tese. Se o fato se confirmar no relatório judicial, o grau de responsabilidade da Airbus no acidente pode ser reduzido.

O Estado contatou nesta quarta as duas companhias, Air France e Airbus. Ambas se negaram a fazer comentários sobre as informações, alegando que as investigações estão em curso.

Fonte: Agência Estado

Acidente aéreo na Indonésia não teve sobreviventes

Sukhoi Superjet 100-95

As equipes de emergência indonésias informaram na tarde desta quinta-feira que chegaram ao local onde estão os destroços do Superjet 100 da fabricante russa Sukhoi acidentado na véspera, mas não encontraram sobreviventes, disse um porta-voz.

“Não encontramos sobreviventes” dos cerca de 50 passageiros que viajavam a bordo da aeronave, disse Gagah Prakoso, porta-voz da Agência Nacional de Emergências.

“Chegamos ao local [dos destroços]. Encontramos apenas cadáveres, mas não estamos em condições de dizer o número”, declarou anteriormente à imprensa.

“O avião se chocou contra a encosta da montanha em alta velocidade. Imagine o resultado. O avião está totalmente destruído”, acrescentou.

VOO DE DEMONSTRAÇÃO

Os destroços do Superjet 100, que participava de um voo de demonstração na quarta-feira, foram localizados na manhã desta quinta em uma região montanhosa ao sul de Jacarta.

Os restos da aeronave foram encontrados a cerca de 1.800 metros de altitude perto de Cijeruk, na região de Mont Salak, um vulcão que chega a 2.211 metros, informaram as equipes de emergência.

As fotografias aéreas dos serviços de emergência mostram os destroços do avião presos a árvores e rochas situadas em uma parede montanhosa muito abrupta, o que parecia indicar que o avião se chocou em cheio contra a montanha.

“Dado o lugar, podemos considerar que as esperanças de sobreviver são nulas”, havia afirmado antes de alcançar o local do acidente o porta-voz do ministro de Transporte, Bambang Evian.

A Rússia anunciou nesta quinta-feira que abria uma investigação sobre as causas do acidente.

ESPERANÇA DA AVIAÇÃO RUSSA

O avião, a esperança da aviação civil russa, realizava um voo de demonstração no âmbito de uma campanha de promoção e desapareceu dos radares pouco antes das 15h (05h de Brasília) de quarta-feira sobre o monte Salak, ao sul de Jacarta, segundo os serviços de resgate.

O Sukhoi transportava 44 pessoas a bordo, oito membros da tripulação russa e 36 passageiros, declarou à AFP Dmitry Solodov, adido de imprensa da embaixada russa em Jacarta. A embaixada da França em Jacarta disse que um francês encontrava-se a bordo.

O representante na Indonésia da Sukhoi, Trimarga Rekatama, avaliou, no entanto, em 50 o número de pessoas a bordo, entre elas oito russos, quatro pilotos e engenheiros russos, assim como funcionários da Sukhoi.

Os outros estrangeiros eram um americano e um francês, informou à AFP.

Fonte: Folha.com

King Air cai em Jundiaí-SP

 

Um King Air caiu em Jundiaí (SP) na tarde desta sexta-feira. Segundo informações extra-oficiais, piloto e co-piloto morreram. O Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) não havia confirmado o número de vítimas até o fim da tarde, mas informou por meio de nota oficial que o avião Beech Aircraft, modelo C 90, particular, decolou do aeroporto de Jundiaí por volta das 14h30 e caiu nas proximidades do aeroporto logo após a decolagem. A aeronave estava abrigada no hangar Alpha.

Após uma explosão, parte da aeronave pegou fogo. Equipes de bombeiros do aeroporto e da cidade, assim como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a polícia foram acionados. Integrantes do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 4) também foram para o local. As vias de acesso nas proximidades ficaram congestionadas e o lugar do acidente foi isolado. A polícia informou que o piloto avisou à torre que retornaria, mas não conseguiu concluir a manobra. Até as 17 horas desta sexta-feira não havia informações sobre as supostas vítimas.

Fonte: Agência Estado

Acidente com Boeing 737-200 no Paquistão

 

O Ministro da Defesa do Paquistão, Chaudhry Ahmed Mukhar, confirmou a morte dos 127 passageiros do Boeing 737 da Bhoja Air, que caiu perto de aeroporto internacional Benazir Bhutto, em Islamabad, capital do Paquistão, nesta sexta-feira, 20. Não há sobreviventes.

Voo

A aeronave saiu de Karachi e estava programada para pousar às 19h, horário local, em Islamabad. Entre os passageiros, estavam cinco bebês e 100 soldados.

O voo 213 da companhia aérea Bhoja Air caiu devido ao mau tempo, em Hussainabad, a 15 km do aeroporto internacional.

As operações da companhia foram suspensas em todo o Paquistão imediatamente após a queda.

Socorro

A mídia do Paquistão reportou que os funcionários do controle de tráfego aéreo não receberam nenhum pedido de socorro.

As equipes de resgate chegaram com rapidez ao local do acidente e constataram a morte dos 118 passageiros e dos nove tripulantes.

No início da noite, horário local, os bombeiros ainda tentavam apagar o incêndio provocado pelo acidente. Na queda, a aeronave atingiu várias casas, mas ainda não há informações sobre possíveis vítimas entre os moradores dos imóveis afetados.

Todos os hospitais de Islamabad e proximidades estão sob estado de alerta.

Fonte: Agência Estado

Acidente com ATR-72 da UTair na Rússia

Imagem do acidente

Um bimotor ATR-72 com 43 pessoas a bordo caiu na Sibéria matando pelo menos 32 pessoas, informou nesta segunda-feira o Ministério para Situações de Emergência da Rússia.

A aeronave, um turboélice bimotor de fabricação franco-italiana era operado pela UTair e decolou do aeroporto de Roschino, perto de Tyumen, em direção a Surgut (também na Sibéria), caindo em um campo nevado, de acordo com o ministério.

Segundo as agências russas, o avião desapareceu dos radares pouco depois de decolar, caindo cerca de 40 quilômetros distante do aeroporto de onde partiu, às 7h50 locais de segunda-feira (22h50 de domingo no horário de Brasília).

Havia 39 passageiros e quatro tripulantes a bordo, informou um porta-voz do ministério à agência de notícias Interfax. Segundo a agência, ainda não estão claras as causas do acidente. A UTair divulgou uma lista dos ocupantes da aeronave e, segundo a Interfax, não há estrangeiros.

Fonte: Agência Estado

País tem recorde de acidentes aéreos

 

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) registrou 125 acidentes aéreos no País até o dia 30, volume que ultrapassou os 110 ocorridos em todo o ano de 2010. Trata-se de número recorde desde o início da série histórica, em 2001.

O recorde anterior havia sido em 2009, com 113 acidentes. E nos números atuais ainda não estão computados os dois acidentes ocorridos no primeiro fim de semana de outubro, um deles no interior de São Paulo (com quarto mortos) e o outro em Curitiba, no Paraná. Os números não levam em conta os incidentes aeronáuticos, como pousos de emergência.

Helicópteros

Os acidentes com helicópteros, um meio de transporte que tem sido muito usado principalmente nas grandes cidades, crescem ano a ano. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recolhidos até o fim de julho, quando haviam sido registrados 89 dos 127 acidentes ocorridos até hoje, problemas com helicópteros representaram 18% do total, ou seja, dos 89 acidentes computados, 16 haviam sido com helicópteros (que respondem por 10% da frota aérea, com 1.553 aparelhos registrados).

O ex-ministro da Aeronáutica brigadeiro Mauro Gandra, um especialista do setor, atribui ainda o aumento do número de acidentes aéreos ao longo dos anos ao “esquartejamento dos setores de comando da aviação civil”. Ele se refere particularmente ao período a partir de 2005, quando foi criada a Anac, em substituição ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que ficava na Aeronáutica. Na sua opinião, vários órgãos passaram a funcionar de forma independente, sem diálogo entre si.

O brigadeiro observa que havia um respeito maior às regras ditadas pelo Cenipa, que tinham por objetivo prevenir fatores que levaram a um determinado acidente, voltassem a se repetir em outro. “Além disso, as partes passaram a não se falar”, observou ele, lembrando que é preciso que as autoridades façam um “trabalho de formiguinha de conscientização da necessidade de prevenção de acidentes aeronáuticos”, sobretudo em aeroclubes e escolas de pilotagem.

Motivos

Estudo realizado pelo Cenipa, levando em consideração todos os acidentes ocorridos entre 2001 e 2010, aponta que, na lista dos fatores que mais contribuíram para a ocorrência dos desastres aéreos lidera o julgamento de pilotagem. Trata-se da inadequada avaliação, por parte do piloto, de determinados aspectos relacionados à operação da aeronave, estando qualificado para operá-la.

O Cenipa sempre alerta que um acidente acontece por uma somatória de fatores. Em segundo lugar, a responsabilidade dos acidentes é atribuída à supervisão inadequada, pela gerência de não tripulantes, e em terceiro vem o planejamento do voo – seguido dos aspectos psicológicos.

Entre os 24 itens listados como fatores contribuintes, o controle do trafego aéreo aparece em último lugar, a manutenção das aeronaves vem em 7.º lugar, a instrução dos operadores da aeronave em 10.º e as condições meteorológicas adversas, em 11.º lugar.

Fonte: Agência Estado